Decisão do Banco Central pode ampliar incertezas na economia

Os números da inflação de Fevereiro somado à desaceleração da economia mundial, indicam novos cortes na taxa SELIC na reunião da semana que vem.

Os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados nesta semana pelo IBGE, confirmaram que ainda não há pressões inflacionárias decorrente do possível desarranjo das cadeias globais provocado pelo surto de coronavírus. 

O destaque negativo para a elevação dos preços no mês de Fevereiro 0,25 pontos, onde 0,23 pontos vieram da rubrica Educação, foram os tradicionais reajustes nas mensalidades escolar que ocorrem no começo do ano. 

Vale destacar que dos 9 componentes do IPCA, 4 tiveram contribuição deflacionária ou nula: Habitação (-0,06 pontos), Artigos de residência (0,00 pontos), Vestuário (-0,03 pontos) e Transporte (-0,05 pontos).Ou seja: a inflação de Fevereiro não tem praticamente nenhuma relação com problemas ligados à oferta ou demanda.

A divulgação do IPCA ocorre em um momento de aumento das incertezas com relação à economia mundial por conta, tanto da maior disseminação do COVID-19 pelo mundo como pelo choque do petróleo provocado pela disputa entre Rússia e Arábia Saudita. 

Na próxima semana, haverá a reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), que estabelecerá a nova taxa básica de juros (SELIC).

Diante deste cenário de inflação doméstica em baixa e aumento das incertezas globais, o corte na taxa de juros é quase certo. O tamanho ainda é incerto: 0,25% ou 0,50%. A depender da magnitude, podemos ter novas quedas na Bolsa de Valores ou alguma euforia.

Opinião E-Price Capital: 

Acreditamos que a aversão ao risco aumentou consideravelmente desde a última reunião do COPOM. A decisão do FED de cortar 0,5 pontos em uma reunião de emergência com forte tendência de novo corte na próxima reunião que ocorrerá no mesmo dia da decisão do Banco Central brasileiro, pressiona nossa autoridade monetária a tomar medidas mais firmes com relação à Política Monetária. Por estes motivos, acreditamos em uma queda de 0,50 pontos percentuais na taxa de juros na próxima reunião do COPOM em 18 de março de 2020.

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